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Vacinas (VIII): Influenza

     Há poucos dias discorremos sobre influenza (gripe). Se não leu ainda, clique aqui. No presente texto, falaremos sobre a vacina que a previne.

 

O que previne?

 

     Apenas gripe, moléstia provocada pelo vírus Influenza e, consequentemente, as complicações que dela advêm. Doenças como resfriados e outras viroses respiratórias não são evitadas por esta vacina. 

     A proteção é conferida contra os tipos e subtipos de vírus contidos na vacina. Essa composição muda anualmente, devido a grande capacidade mutação do vírus.

 

De que é feita?

 

     De vírus inativado, utilizando fragmentos ou subunidades do microrganismo, portanto não provoca gripe. Clique aqui para ler o texto onde falamos da diferença entre inativação e atenuação. 

     Cotidianamente, ouvimos pessoas relatarem que tiveram gripe logo após receberem uma dose da vacina e a culpam por isso. Ocorre que alguns fatores confundidores provocam essa errônea interpretação. Vejamos alguns:

  1. Desde quando a vacinação contra gripe passou a fazer parte do Programa Nacional de Imunização (PNI) com indicação de aplicação em idosos, surgiram fortes boatos de que a campanha objetivava unicamente "matar" os aposentados e desonerar a Previdência Social. Esta assertiva é tão esdrúxula e nociva, que preferimos nem refutá-la. Limitar-nos-emos apenas a relatar que, em nossa experiência pessoal, vimos inúmeras pessoas morrerem da doença. Nenhuma da vacina.

  2. Já citamos que a vacina não gera imunidade contra resfriados e outras viroses respiratórias. Algumas vezes que o indivíduo adoece após a vacinação, podem ser apenas coincidências de acometimento por patologias distintas, sem relação alguma com a imunização.

  3. Após ser vacinada, a pessoa estará imunizada após 7 a 12 dias (em  média, 10). Já informamos no texto anterior,  que o indivíduo adoece em até 48h após ser infectado pelo Influenza. Soma-se a isso o fato de o período de campanha da vacina coincidir com aquele de maior incidência da doença. Destarte, o adoecimento pós-vacinação pode ser pelo vírus adquirido na comunidade, que já estava incubado, ou o acometimento se deu no período em que ainda não havia o desenvolvimento dos anticorpos necessários para proteção.

  4. Toda vacina pode, muito eventualmente, dar febre e a contra Influenza não é exceção. Todavia, não induz quaisquer sintomas respiratórios. Além disso, a febre surge entre 6 a 12h após aplicação e é autolimitada, findando-se em menos de 48h.

  5. A vacina não trata ou cura a doença, apenas a previne. Sendo assim, pessoas que já estão doentes devem evitar todo tipo de vacinação. O agravamento de uma enfermidade já em curso nada tem a ver com a vacina, mas sim com a história natural da doença.

  6. Nenhuma vacina tem imunogenicidade de 100%. A depender das cepas em sua composição. a eficácia da antigripal pode variar. Assim sendo, algumas pessoas podem adoecer mesmo que tenham sido vacinadas. Nesse caso, a doença é oriunda do vírus, não da vacinação.

     Como dito acima, anualmente a vacina apresenta uma composição diferente do ano anterior. Em geral, podem ser mono, tri ou quadrivalentes. Eis a diferença entre elas:

 

  • Monovalente - geralmente utilizada para conter uma pandemia, voltada para um subtipo específico do Influenza A. O exemplo mais recente ocorreu quando o H1N1 foi reintroduzido na sociedade em 2009. Naquele ano, a vacina voltou-se especificamente contra esse agente;

  • Trivalente - composta por 3 cepas virais, sendo 2 subtipos de Influenza A e 1 linhagem do tipo B;

  • Quadrivalente - há as três cepas da trivalente, acrescidas de outra linhagem do tipo B.

      A Organização Mundial de Saúde define quais cepas virais farão parte da vacina em cada ano. Há esforços para se conseguir uma vacina universal que promova imunidade duradoura e contra todos subtipos. Contudo, ainda deveremos aguardar um pouco até que se torne realidade e disponível em nosso meio. 

     Tri e quadrivalente têm 15μg de cada cepa e são obtidas a partir do cultivo de ovos embrionados de galinha, motivo pelo qual há traços da proteína do ovo em sua composição. 

     Encontramos seringas com doses individuais (0,25 ou 0,5ml) e frascos para múltiplas doses. Nas seringas individuais, não há conservantes. Nos frascos de múltiplas aplicações, o timerosal está presente como conservante.

     Podem ainda ter antibacterianos como neomicina e polimixina.

     Em 2018, as vacinas estão compostas pelas seguintes cepas virais:

 

  • A/Michigan/45/2015 (H1N1)pdm09;

  • A/Singapore/INFIMH-16-0019/2016 (H3N2);

  • B/Phuket/3073/2013 (Yamagata);

  • B/Brisbane/60/2008    (Victoria), disponível apenas nas quadrivalentes.

     

     Segundo a Anvisa, as licenciadas no Brasil em 2018 são: 

 

  • Fluarix Tetra - GlaxoSmithKline Brasil Ltda;

  • Fluquadri - Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda;

  • Influvac - Abbott Laboratórios do Brasil Ltda;

  • Vacina influenza trivalente (fragmentada e inativada) - Instituto Butantan;

  • Vacina influenza (inativada, subunitária, adjuvada) e Vacina Influenza Trivalente (subunitária, inativada) - Medstar Importação e Exportação Ltda;

  • Vaxigrip - Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda.

      

 

 

Quais são as indicações?

 

     Indicada para qualquer pessoa com mais de 6 meses de idade. Todavia, a campanha de vacinação orquestrada pelo Ministério da Saúde objetiva vacinar 54 milhões de indivíduos que fazem parte dos grupos com maior risco de adoecimento e/ou agravamento da gripe. São eles:

 

- pessoas a partir de 60 anos;

- crianças de seis meses a menores de cinco anos;

- profissionais de saúde;

- professores das redes pública e privada;

- povos indígenas;

- gestantes;

- puérperas (mulheres até 45 dias após o parto);

- presos ou jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas;

- funcionários do sistema prisional;

- portadores de doenças crônicas não transmissíveis, como asma, DPOC, outras doenças pulmonares, diabetes, cardiopatias, insuficiência renal, anemia falciforme.

- Imunossuprimidos.

 

     As pessoas não inclusas na lista supracitada podem se vacinar na rede privada.

 

 

E as contraindicações?

 

     Apenas em indivíduos que tiveram alergia grave (anafilaxia) prévia a algum componente da vacina. Alergia a ovo não é mais contraindicação, conforme recomendações do Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

 

 

Reações adversas

 

     As poucas reações costumam ser desprovidas de gravidade. As mais comuns são as locais, como dor no local de aplicação e vermelhidão. Podem acometer até 20% dos vacinados e regridem em 48h no máximo.

    Manifestações sistêmicas são incomuns. Febre, mal-estar e dor no corpo (mialgia) podem aparecer entre 6 a 12h após a aplicação e não devem durar mais de 2 dias. São mais comuns na primeira vez que o indivíduo é vacinado. Raramente nas doses subsequentes.

     Reações anafiláticas são raríssimas. 

    Em 1976, uma publicação norte-americana associou a vacina com síndrome de Guillain-Barré. Porém, estudos subsequentes não conseguiram evidenciar a relação dessa doença com a antigripal.

 

 

Como e quando deve ser aplicada?

 

     É aplicada por via intramuscular. Em menores de 3 anos, faz-se o volume de 0,25ml. Nos maiores, 0,5ml. 

     Crianças entre 6 meses e 9 anos devem receber duas doses - com intervalo de 30 dias - na primeira vez em que forem vacinadas (primovacinação). A partir dessa idade, apenas 1 dose anualmente.

 

 

Está disponível no SUS?

 

     Sim, para os grupos mais suscetíveis, já citados neste texto. As Unidades Básicas de Saúde disponibilizam a vacina trivalente. Na rede privada, há tri e quadrivalente.

 
 

REFERÊNCIAS

 

1- Brasil, Ministério da Saúde do. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais. – 4. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014.

 

2- BALLALAI, Isabella; BRAVO, Flavia (Org.). Imunização: tudo o que você sempre quis saber. Rio de Janeiro: RMCOM, 2016.

 

3- Erbelding, Emily et al. A universal influenza vaccine: The strategic plan for the National Institute of Allergy and Infectious Diseases. Journal of Infectious Diseases [Epub ahead of print], 2018.

 

4- VK Leung, BJ et al. Systematic Review Concordance of interim and final estimates of influenza vaccine effectiveness: a systematic review. Eurosurveillance, Volume 21, Issue 16, 21 April 2016.​

 

5- CDC. Recommendations for flu vaccination of persons with egg allergy have been modified for the 2016-2017 season. Disponível em: https://www.cdc.gov/flu/protect/vaccine/egg-allergies.htm

 

6- Paules,  Catharine and Subbarao, Kanto. Influenza. Lancet 2017; 390:697-708. 

 

7- Steven H, Jeffrey CK, Shelley LD, Natasha SC, Allison M, Robin D, et al. Simulation Study of the Effect of Influenza and Influenza Vaccination on Risk of Acquiring Guillain-Barré Syndrome. Emerging Infectious Disease journal.21(2):224.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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