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Vacinas (V): difteria, tétano e coqueluche

     Conhecida como tríplice bacteriana, a vacina contra difteria, tétano e coqueluche é uma das mais tradicionais do Programa Nacional de Imunização. Recebe a denominação pelas inicias dos segundos nomes das bactérias que provocam as três doenças. São elas: Clostridium tetani, Corynebacterium diphtheriae  e Bordetella pertussis.  Sendo assim, pode ser encontrada em diversos nomes, a depender do tipo e quantidade de componente contra cada um dos agentes: DTP, DT, dT, DTPa, dTpa.

 Óleo sobre tela, Opistótono (característico do tétano), 1809; Charles Bell; Colégio de Cirugiões de Edimburgo (Escócia).

 

O que previne?

 

     Difteria, tétano e coqueluche (tosse comprida). Tem alta eficácia contra essas três doenças, sendo um pouco menos para coqueluche. Corrobora com essa afirmação a expressiva queda do número de casos das três doenças após introdução da rotineira vacinação em crianças e adultos. Veja os gráficos abaixo:

 

 

 

 Fonte: Sociedade Brasileira de Imunizações

 

De que são feitas?

 

     Por ser vacinada inativada, não provoca nenhuma das três doenças. É constituída pelos toxóides tetânico e diftérico, além da bactéria morta de coqueluche.

     Toxóides são substâncias derivadas das toxinas. Possuem alto poder imunogênico, mas sem risco de adoecimento para quem os recebe.

     Há também sal de alumínio, cloreto de sódio e água para injeção. A dTpa contém ainda fenoxietanol.

     As vacinas com "D" (DTP, DT, DTPa), possuem 30 UI (Unidades Internacionais) de toxóide diftérico e 10 a 20UI de toxóide tetânico. As que tem em sua sigla "d" (dT, dTpa), mantém a mesma quantidade da porção antitetânica, mas apenas 2 a 4 UI da diftérica.

     Da mesma forma, aquelas com "P" (DTP, DTPa) têm uma quantidade de componentes contra coqueluche (pertussis) maior que as com "p".

     Já o "a" (DTPa, dTPa), significa "acelular". Isso porque a porção contra a coqueluche é constituída de bactérias mortas com células inteiras. As acelulares são constituídas de apenas algumas partes extraídas e purificadas da cápsula bacteriana, diminuindo drasticamente o risco de efeitos colaterais.

 

Quais são as indicações?

 

     Como são várias vacinas, as indicações variam um pouco, conforme demonstrado abaixo:

  • DTP - para todas crianças até 7 anos de idade;

  • DT - crianças menores de 7 anos de idade, que tenham apresentado encefalite nos sete dias subsequentes à administração de dose anterior de vacina contendo componente coqueluche;

  • dT - todas as pessoas com mais de 7 anos de idade. Tanto as não vacinadas, quanto as que necessitam do reforço a cada 10 anos;

  • DTPa - crianças até 7 anos de idade, principalmente por terem desenvolvido convulsões e episódio hipotônico hiporresponsivo após 48 e 72h, respectivamente, da administração de DTP. Também está indicada para crianças com doença convulsiva crônica (epilepsia), doenças crônicas cardíacas e pulmonares, doenças neurológicas graves, câncer e imunossuprimidos. As demais crianças podem tomar DTPa no lugar da DTP apenas na rede privada;

  • dTpa - para reforço das vacinas DTP ou DTPa em crianças acima de 3 anos de idade, adolescentes, adultos e gestantes. Todas as pessoas que convivem com crianças menores de 2 anos, sobretudo bebês com menos de 1 ano, incluindo familiares,babás, cuidadores e profissionais da Saúde.

 

E as contraindicações?

 

  • DTP - maiores de 7 anos de idade. Anafilaxia, episódio hipotônico hiporresponsivo, convulsões ou encefalopatia na dose anterior;

  • DT - maiores de 7 anos;

  • dT - anafilaxia em dose anterior;

  • DTPa - maiores de 7 anos, anafilaxia e encefalopatia nos 7 dias subsequentes à aplicação de qualquer vacina com componente pertussis (quer seja "P" ou "p");

  • dTpa - pessoas que apresentaram anafilaxia ou sintomas neurológicos na dose anterior.

Como e quando deve ser aplicada?

 

     Todas são administradas por via intramuscular. Crianças devem recebê-las aos 2, 4 e 6 meses de idade. São necessários reforços aos 15 meses e 4 anos. A partir de então, todos devem receber reforços a cada 10 anos, enquanto vivos forem. Gestantes são vacinadas com dTpa a partir da 20ª semana de gravidez.

     Para visualizar o calendário de imunização, clique aqui.

 

Reações adversas

 

     O componente com maior capacidade de provocar reações indesejáveis é o pertussis (coqueluche). Por esse motivo, existem as vacinas duplas bacterianas, sem o "P" (DT e dT). Os efeitos colaterais podem ser locais ou sistêmicos:

  • Locais - dor, vermelhidão e edema (inchaço) no local da aplicação. Nódulos e abscessos são bastante raros. Todos de fácil resolução;

  • Sistêmicos - febre de 12 a 24h, convulsões, choros prolongados, episódios hipotônicos hiporresponsivos e encefalopatia. Felizmente, raramente ocorrem.

      As reações são menos frequentes nas vacinas acelulares (DTPa e dTpa).

 

Estão disponíveis no SUS?

 

     Sim, mas com as devidas indicações. DTP e dT estão nas unidades básicas de saúde. A dTpa está disponível apenas para gestantes. DTPa, dTpa e DT são aplicadas nos Centros de Referências para Imunobiológicos Especiais (CRIEs). Para saber onde fica o CRIE em seu Estado, clique aqui

     Em setembro de 2012, o Programa Nacional de Vacinação introduziu a vacina pentavalente no calendário de vacinação infantil. Consiste na combinação de DTP com vacina contra hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b. 

     Nas clínicas privadas, é possível encontrar a dTpa associada à VIP

     

 

REFERÊNCIAS

 

 1- Brasil, Ministério da Saúde do. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais. – 4. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014.

 

2- BALLALAI, Isabella; BRAVO, Flavia (Org.). Imunização: tudo o que você sempre quis saber. Rio de Janeiro: RMCOM, 2016.

 

3- FIOCRUZ, disponível em www.bio.fiocruz.br/index.php/difteria-sintomas-transmissao-e-prevencao, acessado em 24/03/18.

 

4- FIOCRUZ, disponível em www.bio.fiocruz.br/index.php/tetano-sintomas-transmissao-e-prevencao, acessado em 24/03/18.

 

5-  FIOCRUZ, disponível em  www.bio.fiocruz.br/index.php/coqueluche-sintomas-transmissao-e-prevencao, acessado em 24/03/18.

 

6- Noronha, Tatiana Guimarães de. Episódio Hipotônico-hiporresponsivo associado à vacina combinada contra difteria, tétano, pertussis e Haemophilus influenzae tipo b: análise da definição de caso para vigilância. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2008.

 

 

 

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