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Introdução à imunização e vacinas (I)

 

     Imunização é o nome que se dá ao processo de indução à proteção imunológica contra determinadas doenças. Pode ocorrer de forma ativa ou passiva, natural ou artificial. Nesse texto, faremos um breve resumo sobre os principais tópicos para compreensão do assunto.

 

 

IMUNIZAÇÃO PASSIVA

 

  Dá-se por meio da administração de anticorpos específicos contra determinadas doenças. Tem a vantagem de rápida proteção, mas dura de algumas semanas a poucos meses. Há duas maneiras de aquisição:

  • Natural – é a transferência de anticorpos da mãe para o recém-nascido através da placenta ou da amamentação. Tendem a desaparecer em até 15 meses;

  • Artificial – é conferida pela aplicação de anticorpos em soros animais (heteróloga) ou imunoglobulinas humanas (homóloga). Como a proteção dura apenas semanas e o início de ação é quase imediato, seu uso limita-se a situações bem específicas e emergenciais. Como exemplo, as pessoas que sofrerem ferimentos com alto risco de tétano, não vacinadas, deverão receber o soro antitetânico. O uso de soros não exclui a necessidade de vacinas.

 

 

IMUNIZAÇÃO ATIVA

 

   É quando o próprio indivíduo, seja humano ou animal, produz anticorpos específicos após contato com alguma substância estranha ao seu organismo. A imunidade costuma ser de longa duração e, às vezes, por toda a vida. Há também duas formas de se adquirir:

  • Natural – quando a própria doença induz a proteção. A varicela (catapora) é um bom exemplo, ou seja, a pessoa só adoece uma vez, já que a própria doença gera longeva imunidade;

  • Artifical – ocorre ao aplicar uma substância sintetizada em laboratório, com o objetivo principal de imunizar sem necessidade de adoecimento. Ou seja, vacinas.

 

    Além de serem boas imunizadoras individuais, as vacinas trazem benefícios coletivos. Quanto maior o número de pessoas vacinadas contra difteria, por exemplo, menor a chance de alguém, mesmo não vacinado, adoecer. Isso ocorre devido à diminuição de transmissores. Destarte, a varíola foi extinta do mundo e a poliomielite está prestes a sê-lo também (apenas Paquistão e Afeganistão continuam a transmiti-la). Soros e imunoglobulinas não possuem essa qualidade.

     O quadro 1 compara as principais diferenças entre vacinas e imunoglobulinas e o gráfico 1 demonstra expressiva queda do número de casos de difteria após vacinação de rotina:

 

 

                Quadro 1. Diferenças entre vacinas e imunoglobulinas

              Gráfico 1. Casos de difteria e vacinação 

 

 

    Há diversas maneiras de se obter vacinas. Conforme a origem, podemos classifica-las como:

  1. Vacinas vivas – utiliza-se bactérias ou vírus vivos atenuados, ou seja, com menor capacidade de gerar doença, mas grande chance de imunização. Geralmente, a imunidade é por tempo prolongado e há necessidade de menos doses. Como desvantagem, há risco de provocarem doenças em imunossuprimidos graves. Exemplos: poliomielite oral (Sabin), febre amarela, rubéola, varicela, sarampo, caxumba e rotavírus.

  2.  Vacinas inativadas – não utiliza microrganismos vivos. Portanto, mesmo as pessoas com imunossupressão grave não correm risco de adoecimento. Podem ser obtidas através de vários processos, a saber:

  • Inativação por meios físicos ou químicos, sendo o formaldeído o mais comum. Exemplo: vacina inativada contra poliomielite (Salk);

  • Inativação de toxinas. Exemplos: difteria e tétano;

  • Utilização de fragmentos ou subunidades dos microrganismos. Exemplo: gripe;

  • Identificação de componentes dos microrganismos responsáveis pela imunização e pela infecção. Exemplo: vacina acelular contra coqueluche;

  • Sintetização por engenharia genética. Exemplo: hepatite B;

  • Extração de polissacarídeos de cápsulas bacterianas. Exemplos: pneumococo (Pneumo 23) e meningococo C;

  • Conjugação de polissacarídeos com proteínas. Exemplo: pneumococo (Pneumo 7, Pneumo 10 e Pneumo 13), meningococo ACWY.

 

 

DE ONDE SURGIRAM AS VACINAS?

 

   O termo “vacina” vem do latim (vaccina = de vaca)  e assim foi atribuído devido à descoberta do médico britânico Edward Jenner. Este percebeu notória imunidade contra varíola naqueles que ordenhavam vacas acometidas de uma doença muito parecida com a humana: varíola bovina. Sendo assim, produziu as primeiras vacinas através de material adquirido de vacas infectadas, imunizando com sucesso seres humanos.

     Outros nomes também merecem destaque na história das vacinas:

  • Louis Pasteur  – vacina contra raiva e Bacillus anthracis, além de ter criado um processo no qual diversas bactérias são destruídas no leite de vaca, tornando-o mais seguro para o consumo humano: a pasteurização;

  • Albert Calmette   e Camille Guerin – desenvolveram a BCG, contra a tuberculose;

  • Max Theiler –  na Fundação Rockefeller, criou a vacina contra febre amarela;

  • Jonas Salk  – contra poliomielite (injetável);

  • Albert Sabin  – sintetizou a primeira vacina por via oral da história, contra a poliomielite. É a famosa “gotinha” que tanta agrada às crianças e dá esperanças aos adultos menos corajosos;

  • Maurice Hilleman  – sem dúvida, o mais profícuo dos vacinologistas. Criou inúmeras vacinas, dentre elas as protetoras das seguintes doenças: sarampo, varicela, caxumba, hepatites A e B, meningocócica, pneumocócica e Haemophilus influenzae.

 

POR QUE AS NOVAS VACINAS DEMORAM TANTO A SER PRODUZIDAS?

 

     Apesar da existência de um número considerável de vacinas, inúmeras são as doenças que ainda carecem de imunização. Sobretudo, aquelas que protegem contra as recém-chegadas. É o caso, por exemplo, de Zika e Chikungunya.

   É  importante sabermos que nem toda doença é passível de imunização. Patologias como sífilis, por exemplo, ainda não há anticorpos conhecidos que possam impedir de uma pessoa adoecer. E, mesmo nos casos em que a proteção é plausível, uma série de normas e protocolos têm que ser seguidos, demorando alguns anos para o uso na população, mas visando unicamente a segurança dos vacinados. Vejamos abaixo, as etapas para produção e liberação estabelecidas pela Resolução (RDC) 55 de 16 de dezembro de 2010 da ANVISA:

 

Fase exploratória ou laboratorial: Fase inicial ainda restrita aos laboratórios. Momento em que são avaliadas dezenas e até centenas de moléculas para se definir a melhor composição da vacina. 

     

Fase pré-clínica ou não clínica: Após a definição dos melhores componentes para a vacina, são realizados testes em animais para comprovação dos dados obtidos em experimentações in vitro.

 

Fase clínica: Um estudo ou ensaio clínico é qualquer investigação em seres humanos, objetivando descobrir ou verificar os efeitos farmacodinâmicos, farmacológicos, clínicos e/ou outros efeitos de produto(s) e/ou identificar reações adversas ao(s) produto(s) em investigação, com o objetivo de averiguar sua segurança e/ou eficácia. Esta etapa é subdividida em outras quatro:

 

          - Fase 1: É a primeira avaliação do produto e tem como objetivo principal analisar a segurança e se induz alguma resposta imunológica. O grupo de voluntários costuma ser pequeno, de 20 a 80 pessoas — em sua maioria, adultos saudáveis;

 

            - Fase 2: Nesse momento, o objetivo é avaliar a eficácia e obter informações mais detalhadas sobre a segurança. O número de pacientes que participa é de algumas centenas;

 

            - Fase 3: Aqui, o objetivo é avaliar a eficácia e a segurança no público-alvo, aquele ao qual se destina a vacina, ou seja, se ela realmente protege da doença. O número de voluntários aumenta, chegando a milhares;

 

            - Fase 4: Após a aprovação pela Anvisa, o laboratório obtém o registro que o autoriza a produzir e distribuir a vacina em todo o território nacional. Como os estudos clínicos são realizados com um número de pessoas inferior ao que receberá a vacina, o laboratório continua acompanhando os resultados, a exemplo do que ocorre com os medicamentos. O objetivo é monitorar a ocorrência dos eventos adversos. 

 

 Fonte: Sociedade Brasileira de Imunologia

 

 

PARA QUAIS DOENÇAS DEVEMOS SER VACINADOS?

 

     Apesar de inúmeras campanhas contra as vacinas, alguma maldosas e repletas de fake news, a vacinação continua sendo uma das melhores maneiras de controle das epidemias. É, muito provavelmente, a medida que mais salvou vidas na história da humanidade.

Para maior eficácia e menor risco de complicações, as indicações devem ser bem criteriosas, com auxílio do médico ou outro profissional de saúde habilitado.

     A recusa na tomada de vacinas pode trazer consequências graves. Clique aqui para ler um importante documento acerca deste tema.

     Abaixo, o calendário vacinal do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde do Brasil. Clique na imagem para visualizá-la em um tamanho maior.

 

     As vacinas recomendadas pelo PNI estão disponíveis no SUS, aplicadas nas Unidades Básicas de Saúde.

   Nos próximos textos, falaremos um pouco sobre cada uma delas, inclusive as não disponíveis na rede pública, com suas indicações, contra-indicações e possíveis reações adversas.

Até lá!

 

 

REFERÊNCIAS

 

1- Brasil, Ministério da Saúde do. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais. – 4. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014.

 

2- BALLALAI, Isabella; BRAVO, Flavia (Org.). Imunização: tudo o que você sempre quis
saber. Rio de Janeiro: RMCOM, 2016.

 

3- LEVI, Guido Carlos. Recusa de vacinas : causas e consequências. – São Paulo: Segmento Farma, 2013.

 

 

 

 

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